(É um ônibus!) – Como o tempo não ajudou, não foi possível fazer a chata de óleo que estava prevista. Tanto que nem tocaram alvorada as 5:30, somente tocaram no horário normal que é as 7 da manhã. Hoje eu resolvi que eu iria dormir até mais tarde, levantei as 10 horas, o que não fazia a muito tempo. Chegamos de volta a Frei para um vôo de apoio que traz alimentos frescos, como frutas e verduras, para a estação e também traz uma comitiva búlgara e sua carga que o navio levará para a estação deles que fica na ilha Livingstone.
Essa é uma das coisas bacanas aqui da antártica. Todo mundo se ajuda. Usamos a pista chilena para nossos vôos e para dar apoio aos búlgaros que tem uma pequena estação ao lado de uma estação espanhola, que também presta serviços a eles e assim vai. Todo mundo sabe que está isolado e que quando é necessário alguma coisa, você solicita ao seu vizinho mais próximo e assim por diante. Trocas de favores são comuns por aqui. Ao lado da estação de Frei, tem uma estação russa, um pouco mais longe temos uma chinesa, uma uruguaia e uma argentina. Tudo fica no visual uma da outra. Próximo a Ferraz, tem refúgios equatorianos e a base polonesa. Uma vizinhança bastante improvável.
Anteontem eu não vi o Hercules pousar mas hoje eu não perderia a chance. O horário previsto da chegada dele era 14 h e15 min, e foi exatamente nesse horário que ele chegou. E eu cheguei atrasado! Enquanto eu estava me preparando para sair ao convés externo para fotografar, o avião pousou. Quando eu cheguei ao passadiço o comandante ficou tirando sarro de mim. Não tem problema, por que eu sabia também que após eles descarergarem o matéria para a estação, os búlgaros e seus materiais, eles fariam treinamento de pouso e decolagem e que eu teria a oportunidade de ver.
Então fiquei ali, esperando, esperando, esperando até que o avião decolou. Ele deu a volta por trás de algumas montanhas e veio chegando por cima do navio, e era enorme. É um ônibus com asas, e 4 motores turbohélice. Passou por cima do navio e foi em direção a pista, fez toque e arremetida e repetiu isso mais uma vezes e na terceira passagem pelo navio pousou. Foi bacana, uma pena que o sol estava contra a gente e as fotos de aproximação da aeronave na pista ficaram claras e sem graça demais. Mas tirei algumas aproximando do navio.
Mais para o fim do dia os búlgaros vieram a bordo, e como eu estava no quarto sozinho, colocaram 3 deles por lá. Já espero uma noite barulhenta. Assim que todos embarcaram, o navio traçou rumou a Livingstone para leva-los até lá. Pelo menos será somente uma noite barulhenta e depois um quarto só pra mim.
Mua-há-há!
No jantar, ficamos conversando com os búlgaros e uma constatação veio. Realmente eles parecem com a Dilma (pra quem não sabe a Dilma tem descendência búlgara). São bastante simpáticos e o chefe deles parece o papai smurf, que por sinal vai ficar no meu quarto. E dele de quem mais eu espero barulho a noite, mas fazer o que? Vim pra cá por quis, não é?
Devemos chegar em Livingstone amanhã cedo por volta das 5 horas da manhã e já está previsto postos de vôo, já que existe uma previsão de janela para a manhã. Mas como diz o Cláudião, previsão de tempo com mais do que 5 minutos aqui na antártica, é chute.
Por hoje é isso pessoal, um grande abraço a todos!