(Muita gente, pouco espaço) – Chegamos a estação de Frei pela manhã para dar suporte ao primeiro vôo de apoio, que estava trazendo carga, gente e “convidados”. Este vôo, ao regressar para o Brasil, levará algumas pessoas que estavam conosco desde que embarcamos em Rio Grande dia 13 de outubro.
Também estava programada uma visita nossa a Frei. E ela aconteceu. Só que foi tão rápido que não deu pra conhecer muita coisa. Antes de nós chegarmos em instalações próximas a pista de pouso, onde o C-130 da FAB faria o pouso, já estavam nos chamando de volta ao navio. O comandante Marcelo conseguiu estender um pouco a visita, mas não por muito tempo.
Frei é uma base muito grande, aonde tem hospital e escola. Algumas pessoas passam 2 anos aqui e dessa forma trazem suas famílias. Outra curiosidade sobre a estação de Frei é de que as únicas pessoas que nasceram na antártica, nasceram ali. Pois é gente, eu não sabia mas tem algumas pessoas que vão ter em seu RG (ou o que quer que seja que os chilenos chamem) o local de nascimento “Antártica”. E eu que já tinha achado o máximo a Ju Dias ter em seu RG o local de nascimento como “Território Nacional”. Ao lado dela, temos uma estação Russa, onde está a igreja católica ortodoxa mais ao sul do mundo.
Então fizemos nossa visita relâmpago por Frei e nos despedimos do pessoal que volta para o Brasil pelo vôo de apoio. Vou sentir falta desse pessoal, do meu companheiro de quarto e gente finíssima, o mergulhador Roberto Baracho (bora fazer um mergulho?); da professora Eunice provocando o Marcinho e sempre as voltas com a internet (ou a falta dela) pra falar com a família; do cinegrafista Evandro pelas piadinhas infames e de duplo sentido um com o outro o dia inteiro (nos vemos por Sampa), e do Haroldo pelas suas histórias e aventuras, dicas de fotografia, fotos e pela enorme simpatia.
Logo depois do almoço consegui definitivamente fazer o PAM funcionar, com teste in vivo e tudo. Agora ta lindo de usar. Também começou a chegar uma tonelada de gente. O pessoal que chegou a bordo eram oficiais das três forças armadas, dois deputados, uma representante do Ministério do Meio Ambiente, uma juíza, alguns alunos da escola naval, pessoal do arsenal e pesquisadores que ficarão em Ferraz e alguns chupins.
O plano era pegar essas pessoas “importantes” (arsenal e pesquisadores não são gente importante, descem depois) deixa-las em Ferraz por uma noite, recolhe-las no dia seguinte e leva-las a Frei (4 horas de navio) para embarcar no Hercules pela manhã para voltar ao Brasil. Só que esqueceram de avisar pra quem aprontou essa com a tripulação do navio, por que logicamente essa ordem vem de gente de cima, que aqui é Antártica e não o Caribe. Tempo bom é exceção, não da pra garantir que eles desçam em terra. E hoje não foi uma exceção. Vão ter que ficar no navio, e não tem espaço pra eles. Vão ter que dormir no sofá.
Acho um desperdício de recursos e tempo essa viagem de turismo pra esse pessoal. Já tem o vôo parlamentar marcado pra janeiro, o cronograma já é por natureza atrasado aqui e ainda ficam colocando gente “importante” pra passear na antártica. Não vejo a importância de, por exemplo, uma dentista (que não o oficial dentista que é obrigado ter no navio) nessa viagem. Só fico com dó do pessoal que trabalhou um monte hoje, e vai ter que trabalhar mais um monte amanhã para por esse povo de volta em terra.
Abraços a todos.